Dias antes de ser afastado, Rodrigo Manga pediu a presença do exército nas ruas de SP

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Dias Antes De Ser Afastado, Rodrigo Manga Pediu A Presença Do Exército Nas Ruas De Sp

Três dias antes de ser afastado por decisão judicial, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) protocolou um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No documento, ele alega estar sofrendo constrangimento ilegal e questiona a competência da Justiça Federal para conduzir o inquérito em andamento. O Portal Porque obteve acesso exclusivo à petição, registrada às 17h03 da última segunda-feira, dia 3. Até agora, o pedido não foi analisado. Manga está em Brasília desde o começo da semana.

De acordo com os advogados, o processo teria motivações políticas e se basearia em provas obtidas de maneira irregular. O habeas corpus possui 485 páginas e foi elaborado por Daniel Bialski, um dos profissionais mais renomados e caros da advocacia nacional. Bialski já atuou na defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no caso das joias, da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), do prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) no episódio conhecido como Máfia das Creches, e do ex-governador fluminense Sérgio Cabral.

O texto não discute o conteúdo das acusações, mas aponta que a investigação se baseia em Relatórios de Inteligência Financeira do COAF, que teriam sido acessados pela Polícia Federal sem autorização judicial — o que, segundo a defesa, fere princípios constitucionais.

Outro ponto levantado é que, embora os recursos supostamente desviados tenham origem federal, já teriam sido incorporados ao orçamento municipal, ficando sob controle de instâncias estaduais e locais. Por isso, os advogados defendem que o caso deveria ser julgado pela Justiça Estadual, e não pela Federal.

A petição solicita que o STJ interrompa imediatamente o andamento do inquérito até que o mérito do habeas corpus seja apreciado, argumentando que há fundamentos jurídicos sólidos e decisões anteriores da Corte que respaldam o pedido.

Entre as solicitações, a defesa pede a revogação das medidas que permitiram a quebra de sigilos bancário e fiscal, as operações de busca e apreensão, e o bloqueio de bens do investigado. Também requer que os relatórios do COAF e todas as provas derivadas sejam excluídos dos autos e, caso as irregularidades sejam confirmadas, que o inquérito seja encerrado de forma definitiva.

Por fim, os advogados pediram que o processo corra em segredo de justiça e solicitaram o direito de apresentar sustentação oral quando o habeas corpus for julgado pelo STJ.