”Desafio da Rsteira” está gerando pânico em pais de alunos no Nordeste do Brasil

Gabriel Kazuo - Correio do Interior

14/02/2020 l Atualização 14/02/2020 às 13:31

Hoje em dia, sabemos que as redes sociais são um Meio de Comunicação de alta disseminação de notícias, sobretudo de Fake News. Existem muitos fatores positivos e negativos de se buscar uma informação nesses lugares, por um lado, são excelentes meios de se procurar notícias de vários lugares do Mundo e de diversos assuntos, por outro lado, é um ótimo meio de disseminar notícias que visam gerar pânico na população.

Assim como aconteceu em 2018, com o ”Desafio da Baleia Azul”, e o ”Desafio da Momo”, que aparecia em alguns vídeos no YouTube Kids, em 2019, agora mais um ”Desafio” que envolve brincadeiras perigosas vem causando preocupações em vários pais de alunos na Região Nordeste do Brasil. Só lembrando que os dois casos citados neste parágrafo foram desmascarados, meses depois de se tornarem populares, como Fake News.

O ”Desafio da Rasteira”, como é chamada a brincadeira muito perigosa, onde várias crianças tentam aplicar uma rasteira em um dos colegas, quando ele está realizando um salto, para derrubá-lo. Tal prática pode causar sérios riscos de concussão cerebral, podendo até causar mortes.

O primeiro caso dessa brincadeira” supostamente” aconteceu numa escola na Venezuela, e em demais países da América Central. Os vídeos foram primeiramente compartilhados em grupos de pais de alunos no Ceará. Outro boato que se circula é de uma adolescente que estuda numa escola de Mossoró (RN), que ”teria” vindo a óbito por causa desta brincadeira, mas o próprio diretor da escola desmentiu a informação, afirmando que o caso aconteceu em 2019, porém, caussdo por outro Desafio muito perigoso, o da ”Roleta Humana”.

Especialistas alertam para os perigos desses ”desafios” na internet e orienta pais para não divulgarem vídeos de crianças executando essas brincadeiras

Vários especialistas ouvidos pela Agência BBC Brasil, como a entidade TIC Kids Online, mostraram dados muito alarmantes sobre a exposição de crianças e adolescentes à conteúdo impróprio na internet: 16% informaram que já viram vídeos de ”auto-mutilação”, e 14% afirmaram que tiveram contato com conteúdos que estimulam o suicídio. Mais da metade  dos 3 mil jovens entrevistados já presenciou casos de discriminação contra aqueles que não cumpriam os ”desafios” na internet.

Porém, um dos fatores que acabam piorando a situação, segundo a Agência, é o compartilhamento massivo desses vídeos em grupos de pais de alunos, que ao invés de servirem como forma de alerta, acabam dando mais visibilidade para os vídeos, que muitas vezes são considerados como ”boatos”.

Uma psicóloga da ONG ”DimiCuida” explica que: “disseminar vídeos sem conteúdo educativo (em torno do desafio) gera pânico e mais disseminação, não havendo então nenhum efeito de interrupção da prática; pelo contrário, esses vídeos chegam também aos adolescentes, que curiosamente podem tentar o desafio.”

Além do mais, a prática de compartilhar imagens e vídeos de menores de idade, sem o consentimento dos pais atinge o Artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê a ”preservação da imagem e da integridade” do menor. “É preciso pensar: ‘será que eu gostaria de receber um vídeo do meu filho fazendo um desafio, que pode ser que nunca saia da internet e pode surtir efeito na vida dele mais tarde?’.”

Ela ainda afirma que, ao invés dos pais ficarem compartilhando esses vídeos, elas poderiam focar mais na Educação Digital dos filhos, mostrando quais lugares ela pode acessar na internet, e quais ela precisa evitar. Ela ainda incentiva que os pais conversem com as crianças caso elas tenham presenciado alguma brincadeira perigosa, e de maneira muito calma, debater o assunto, mostrando como esses desafios são perigosos.

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