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Avião de Araçariguama transportou a Rainha da Inglaterra

Tarcísio Lourençon

8 de junho de 2020
Atualização:12 dez 2021 às 23:45

Araçariguama tem recebido nos últimos anos, várias pessoas apaixonadas por aviação e curiosos, isso para visitarem um antigo avião estacionado no alto da cidade, em local amplo e visível da Rodovia Castelo Branco. Mas que avião é esse? De onde veio? Esse é o tema da coluna de hoje, onde certamente você irá se surpreender, e tão logo possível, irá visitar também o avião de Araçariguama.  

A história começa, quando duas unidades desse avião, Vickers Viscont, fabricados em 1958, foram trazidos ao Brasil e foram designados como VC 90 2100 e VC 90 2101, como aviões de transporte presidencial. Sua configuração contava com 71 assentos e quatro motores Rolls-Royce Dart. 

Existe também relatos de que este avião transportou a Rainha da Inglaterra, antes de vir ao Brasil, isso pois o avião pertenceu primeiramente à empresa British European Airways, que comumente transportava a família real, ou seja a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II e seus demais membros.

Estes aviões foram bastante utilizados pelo presidente Juscelino Kubitschek para acompanhar a construção da nova capital do país, Brasília. Além de Juscelino, transportaram os presidentes Jânio Quadros, Ranieri Mazilli, João Goulart, Humberto Castelo Branco, Artur Costa e Silva, Pedro Aleixo, Emílio Garratazu Médici, Ernesto Gaisel e João Figueiredo, quando então foram desativados e substituídos.  

O Modelo 2101 encontra-se hoje no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro. O Modelo 2100, por sua vez, trabalhou na VASP por aproximadamente 06 anos, até ser retirado de serviço e garageado em Congonhas – SP, em 28 de fevereiro de 1969, com 25.039 horas voadas. 

Existe muita controvérsia nas historias, que citam que o 2100, sofreu perda total após colidir o trem de pouso em pedras na cabeceira da pista do aeroporto Santos Dumont, vindo a ser desmontado, e outra história conta que ele foi vendido para a VASP, com mais de 25 mil horas de voo.  

“Em Araçariguama o avião pode até não voar mais, mas os sonhos voam alto, muito alto” 

O relato mais conhecido, é que este avião, após voar na VASP, com prefixo PP – SRJ, foi doado para a cidade de Piracicaba em 1974 e preservado até 2002 em um parque público. Foi vendido uma pessoa de modo particular, que logo foi colocado à venda na internet, no site Mercado Livre, vindo a ser adquirido em 2006 pela Prefeitura de Araçariguama, na gestão do ex prefeito Carlos Aymar, pelo valor de R$ 80 mil, com custo de restauração de R$ 20 mil. 

Desativada, a aeronave foi instalada em uma praça que homenageia os cem anos do primeiro voo do 14-Bis, do aviador e inventor Alberto Santos Dumont, exposta como atração turística principal. Com a reforma, foram instalados 70 lugares no interior do avião para transformá-lo em cinema, inaugurando o Cine Avião JK, devido à inexistência de salas de cinema tradicionais na cidade.  

Em Araçariguama o pequeno avião descansa, sem interior, motores, cockpit, hélices e outros equipamentos, praticamente abandonado e alvo de vândalos. Um incêndio criminoso, em 1º de janeiro de 2010, comprometeu ainda mais sua estrutura, abrindo um enorme buraco na sua asa direita. 

Ao visitar o local, encontrei com pessoas tirando fotos, admirando a desativada aeronave e até mesmo gravando pequenos vídeos para aparecerem na vinheta de abertura do canal “Aviões e Músicas”, do Lito Souza. Conversando com alguns visitantes, opinam que este avião seja totalmente revitalizado, relembrando sua passagem pela extinta aérea VASP, mas independente de que forma, o sentimento de que o avião precisa de mais atenção é unânime em todos os visitantes 

A mistura de nostalgia e tristeza é constante, pois é inacreditável que elementos da história de nosso país acabem assim, desmantelados e sem preservação. E isso não acontece somente na aviação! Muitas estações ferroviárias, locomotivas, museus, embarcações, áreas ambientais, igrejas, prédios públicos e outros espaços, estão completamente em ruínas, largados em qualquer canto do país. 

Tarcísio Lourençon

Colunista de opinião e contribuinte

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