“As pessoas não devem ter medo de consumirem gordura”, diz médico Maurício Egydio


13/12/2019 l Atualizada em - 13/12/2019 às 11:49

Comer alimentos com gordura não engorda e também não causa a morte como muitos acreditam, diz médico com base em artigo científico

Muito se fala nos dias atuais sobre dieta e alimentação. Nesse contexto, a distribuição convencional dos macronutrientes na dieta diária são de 50 a 60% de carboidratos, 20 a 30% de proteínas e 10 a 15% de gorduras. Essa é a estrutura básica da pirâmide alimentar da OMS – Organização Mundial de Saúde, que reduz o consumo de gorduras na alimentação, relacionando a gordura às doenças do coração e à obesidade.

Nas últimas décadas, as pessoas foram levadas a acreditar na ideia de que quanto menos gordura você comer, será melhor para sua saúde, porque a gordura supostamente aumentaria o nível do colesterol sanguíneo, causando doenças e morte.
Entretanto, afirma o Dr. Maurício Egydio, diversos estudos científicos vêm repetidamente demonstrando que as coisas não funcionam desta forma.

Estes estudos inclusive demonstram que enquanto você era orientado a retirar as gorduras da dieta, os níveis de obesidade elevaram-se no mundo todo, e já representam 50% da população brasileira e 75% da população americana.
Isso mesmo, estamos todos acima do peso, comenta Maurício Egydio.

Além disso, 25% das mortes são causadas por Infarto do coração e outros 25% são causadas por doença cardio-metabólica, incluindo o diabetes. Ou seja, metade das pessoas no Ocidente morrem de doenças do coração, dos vasos e do metabolismo, apesar de adotarem a Pirâmide Alimentar da OMS, dita “balanceada”, e consumirem toneladas de remédios para baixar o colesterol (gordura).

O que se demonstra nos dias atuais após anos de observação é o fato de que uma dieta saudável, que potencializa sua saúde e mantém sua composição corporal estável, está relacionado com o alto consumo de gorduras e proteínas, e o baixo consumo de carboidratos, invertendo a lógica da pirâmide alimentar da OMS.

Especialista em Medicina Integrativa, que trabalha com longevidade humana, o médico Maurício Egydio diz que esse assunto pode ser confuso para as pessoas, mas destaca que as pessoas que vão contra a recomendações da OMS, estão dez passos à frente em questão de saúde, e a justificativa está em um artigo científico publicado em agosto de 2017, que revela conclusões incontestáveis sobre o assunto.

Em 2017 foi publicado um artigo científico na revista The Lancet que pesou em favor das propostas do Dr. Maurício. A revista The Lancet é uma revista científica médica, de publicação semanal, sendo uma das mais antigas, respeitadas e reconhecidas revistas do meio científico, pois é publicada no Reino Unido desde 1823.

O artigo publicado na revista trata-se de um estudo prospectivo, aquele que você acompanha as pessoas durante anos. Multicêntrico, pois envolveu 18 países e 5 continentes. Com um N estatístico enorme, sendo observado mais de 130.000 pessoas. E de longa duração, pois as pessoas foram acompanhadas por mais de 10 anos (de 2003 a 2013).

Quebrando o tabu, o artigo mostrou que as gorduras não estão associadas a doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio ou mortalidade por doença cardiovascular. As gorduras saturadas também apresentaram associação inversa, ou seja, são PROTETORAS do sistema cardiovascular, e não são perigosas como muitas pessoas acham.

O Dr. Maurício comenta que “enquanto as gorduras foram associadas à saúde e à longevidade humana, o consumo elevado de carboidrato foi associado a um maior risco de morte. As gorduras e seus subtipos foram relacionados com menor mortalidade, menor incidência de doença cardiovascular, infarto do miocárdio, ou mortalidade por doença cardiovascular. Além disso, a gordura saturada apresentou associação inversa com o ataque cardíaco, ou seja, quanto mais gordura saturada você consome na dieta, menos incidência de infarto haverá. Por isso, as recomendações mundiais sobre as dietas devem ser reconsideradas urgentemente”.

Mauricio ainda pontua que essa informação é nova para muitas pessoas, inclusive no meio médico, e que muitos deverão rever seus conceitos alimentares, principalmente os que consomem margarina sem colesterol, frango sem pele, carne sem gordura, leite desnatado, queijo branco, suco de fruta, pão integral, bolacha fitness e outros alimentos sem gordura, além daqueles que tomam algum remédio para baixar o colesterol.

Por fim o médico são-roquense, pontua que o estudo da revista The Lancet constatou que o consumo de gorduras, principalmente as saturadas e os triglicérides de cadeia média, não expõem as pessoas ao risco cardiometabólico ou doenças do coração, e que as pessoas não devem ter medo de consumirem alimentos com gordura. Estamos falando de consumir mais manteiga, óleo de coco, azeite, oleaginosas, banha de porco, panceta, bacon, carnes frescas com gordura, peixes, aves e frutos do mar. E, ao mesmo tempo, reduzir o consumo de óleos industriais e alimentos ricos em açúcares.

O colesterol não é a causa das doenças cardíacas e arteriais, e tomar remédio para baixar o colesterol também não vai resolver o problema. Já os carboidratos, principalmente os refinados, estão no topo dos alimentos mais prejudiciais à saúde, aumentando o risco de doenças e reduzindo sua expectativa de vida.
No mínimo, os carboidratos estão te engordando, promovendo inflamação crônica das artérias, aumentando o risco de doenças do coração, pressão alta e diabetes, ou seja, estão te matando lentamente.

Seguindo as recomendações de Maurício Egydio, comer mais gordura natural e menos carboidratos reduz o risco e doenças, gerando a longevidade.

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