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A verdadeira história do soldado Ryan

Tarcísio Lourençon

18 de julho de 2020
Atualização:12 dez 2021 às 23:41

Livros, documentários, série e filmes relacionados à 2ª Guerra Mundial, são cada vez mais produzidos, isso na tentativa de retratar a realidade do que foi o Dia D. Os filmes produzidos conseguiram levar milhares de pessoas às salas de cinema e são sucesso nos sofás de casa, nas telas de computadores e celulares, expressando de forma introspectiva as ações de bravura, de patriotismo e lealdade dos soldados enviados para as frentes de batalha.

Nas telinhas, clássicos cinematográficos como Casablanca, O pianista, Pearl Harbor, Até o ultimo homem, Midway, Homens de coragem, entre tantos outros, foram muito premiados por seus roteiros, protagonistas, diretores e trilhas sonoras. Mas há um filme que desperta curiosidade em muita gente – O Resgate do Soldado Ryan.

Se você assistiu, já deve ter parado pra pensar: O soldado Ryan existiu? A história é verdadeira ou mais uma ficção dos cinemas?

Particularmente, sou um aficionado por histórias da 2ª Guerra Mundial, e em uma de minhas pesquisas, me deparei com a história do Padre Francis L. Sampson, cuja história e memórias foram relatadas no livro Look at Below: A Story of the Airborne by a Paratrooper Padre (Olhe para baixo: uma história da Aerotransportada, escrita por um padre paraquedista), livro publicado em 1958.

Tal como retrata o filme de Steven Spielberg “O Resgate do Soldado Ryan”, cartas com a notícia da morte de três soldados Edward, Preston e Bob Niland, chegaram às mãos de sua mãe, as três ao mesmo tempo, que nos faz imaginar o tamanho da dor dessa senhora ao saber que perdeu seus filhos para a guerra. Mas para esta mãe, restara um filho, Frederick Niland (Fritiz), que também desembarcou na praia de Omaha, Normandia.

Padre Sampson, ou simplesmente Pe. Sam, era capelão da tropa, e estava na linha de frente do fatídico 6 de junho de 1944, com os soldados que desembarcaram na Normandia, durante a “operação netuno”. O Departamento de Guerra, que não queria que uma família inteira fosse dizimada pela guerra, deu ao Padre Sam a dura missão de resgatar um soldado que teve seus três irmãos mortos no Dia D.

Fritz é o fictício soldado Ryan, e é a sua história que inspirou a produção cinematográfica de Spielberg. Padre Sam, e não o personagem de Tom Hanks, conseguiu em meio a tantas dificuldades dos campos de batalha, encontrar o jovem soldado, mais precisamente na praia de Utah Beach e se encarregou da sua repatriação aos Estados Unidos.

Curiosidade: Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, em 1944, foi criado o Serviço de Assistência Religiosa da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O efetivo de capelães militares era composto por 26 padres e dois pastores evangélicos, e tinham a missão de levar palavra de conforto nas trincheiras da guerra.
Resgatar o soldado Niland, de longe não foi a mais difícil missão do Padre Sam, antes disso, o sacerdote teve que desembarcar de paraquedas, sob o intenso fogo inimigo. Ao chegar a terra, em meio a escuridão e os projéteis zumbindo, buscou por seus pertences litúrgicos, um “kit missa”, que havia perdido durante o salto.

No mesmo dia, foi capturado pelos soldados alemães, que o levaram sob a mira de fuzis até uma estrada, onde seria executado. Um terceiro soldado alemão, apareceu e impediu sua execução, mostrando ao padre sua medalhinha católica. Capturado, passou mais de seis meses num campo de prisioneiros, e quando foi libertado, decidiu voltar para o fronte, continuou atendendo os feridos e lutando as batalhas finais da 2ª Guerra Mundial, na 101ª Divisão Aerotransportada.

Curiosidade: O Padre Sam esteve também nos conflitos da Coreia, e depois de nomeado chefe dos capelães militares em 1967, mesmo na reserva, atendeu companheiros paraquedistas no Vietnã.

Não podemos negar que o filme, no geral, foi bastante fiel à história dos irmãos Niland, porém as mudanças feitas com a intenção de garantir um efeito mais dramático, deixaram de enaltecer o verdadeiro herói. Padre Sam faleceu de câncer aos 83 anos, em 28 de janeiro de 1996 e em sua lápide esta gravada a frase “Senhor, faça-me um instrumento de sua paz.”

Essa e tantas outras histórias da 2ª Guerra Mundial deverão continuar a nos emocionar, fazendo-nos refletir sobre a importância do servir ao próximo, oferecendo o que há de melhor em nós, transpassando todos os limites da religião e das ideologias. “O combate era realmente o lugar perfeito para o estudo e o trabalho do padre”, escreveu Padre Sam.

Tarcísio Lourençon

Colunista de opinião e contribuinte

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