Queria ter uma vida de Instagram – Vicente Bernardes

É sério! Já viu como tudo que é postado no aplicativo Instagram (Instagram.com) é legal? Lindas paisagens, festas descoladas, corpos perfeitos, baladas caras, bebidas bacanas, viagens maravilhosas então, nossa, é mato. Não, não. Não tem problema algum em fotografar e mostrar atividades, momentos ou passeios que você faz. Acredito até que isso seja saudável. O que é interessante é a “Vida de Instagram”, ou seja, uma vida que a pessoa tem totalmente diferente da sua vida fora do mundo virtual. As publicações poderiam ser uma extensão da vida real, mas o que vemos são casos de grandes extremos, onde você vê o perfil da pessoa, mas se encontrá-la na rua, não irá reconhecê-la, pois não são as mesmas pessoas. É a água X vinho, chinelo X salto-alto, moto X carro e Deus X Diabo em muito, mas muito dos casos. Mas como o indivíduo, sendo um só, pode ter duas vidas? Dois momentos? Quem sabe até, duas personalidades? Não seria isso motivado pelo tal de:

1 – É o que quero que pensem como sou;

2 – É o que necessito que pensem como sou;

3 – É essa minha verdadeira vida, a física é uma ilusão;

4 – Minha auto-estima é controlada pela quantidade de curtidas

5 – Pára cara! Minha vida é uma m&$#@ e você ainda vai acabar com minha ilusão?

O pior é que ainda tem perfis de “Vida de Instagram”, que tem milhões e milhões de seguidores. Ou seja, além das pessoas criarem uma vida virtual que não existe, ainda viram fãs da vida virtual de outra pessoa. Se for o caso de artistas, músicos, atores, modelos ou outras atividades que geram notoriedade, terem muito seguidores, até é compreensível, mas o que vemos são pessoas seguindo perfis de pessoas, que até o momento da criação do Instagram eram desconhecidas, que postam fotos com alterações em Photoshop de corpos perfeitos, cabelos perfeitos, lugares perfeitos, sorrisos perfeitos, contas bancárias perfeitas e o pior de todos, uma vida perfeita, que gera a admiração de muitos. Tem noção que coisa louca é essa?

Poderíamos tentar encontrar várias explicações sobre o caso, mas o final de todas elas seriam que, a “Vida de Instagram” consegue momentaneamente, resolver todas angústias, aflições e traumas que a vida física trouxe. Uma forma de fugir a realidade do que somos e vivemos.

Mas espera aí! Você que está lendo. Quem é você? Você é você, ou é o seu você do Instagram? Se for você do Instagram, não se esqueça de tirar um selfie lendo o texto hein! Certamente terá muitas curtidas.

Vicente Bernardes

Pensador livre, Marketeiro, “MICO”-empresário, praieiro quando sobra dinheiro e pesquisador de assuntos que ninguém entende.

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