Níveis das represas de Ibiúna estão em estado crítico, aponta ONG

Os níveis das principais represas de Ibiúna, tanto a do Cachoeira do França, que abastece parte da Grande São Paulo, quando de Itupararanga, estão bem abaixo do normal para esta época do ano. A queda mesmo durante os meses que antecederam o verão 2018 e durante a estação das chuvas, preocuparam a população da região. Neste período de estiagem, aumenta ainda mais a tensão em relação à capacidade dos mananciais garantirem água para as cidades que dependem destes reservatórios para o abastecimento público. A situação crítica da represa de Itupararanga, por exemplo, já motivou a realização de vários encontros, que aconteceram na Usina Hidrelétrica administrada pela Votorantim Energia.

O primeiro deles foi organizado pela gestão da APA de Itupararanga, sob o comando da Fundação Florestal, que tem acompanhado a problemática, e iniciou sua atuação desde março deste ano, quando promoveu uma reunião que contou com a participação das empresas que utilizam as águas da bacia hidrográfica da Represa Itupararanga para o abastecimento público, como a Sabesp, Saneaqua – Mairinque, Águas de Votorantim e Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) Sorocaba. Os dados foram fornecidos pela ONG SOS Itupararanga, que vem acompanhando de perto a situação.

Situação de Itupararanga
Em março, a equipe da Votorantim Energia apresentou os dados relativos ao nível da represa nos últimos 10 anos, que demonstraram que Itupararanga vivia o seu momento mais crítico após a crise hídrica de 2014, com nível abaixo da Média de Longo Tempo (MLT) ou, média de operação referência, que corresponde à cota 820m. O ano de 2017 fechou com o nível abaixo da MLT, e em janeiro de 2018, o reservatório chegou à cota 820,72 m (dados de 31/01), equivalente a 43,9% de seu volume útil. Segundo os dados apresentados, entre os meses de agosto e dezembro de 2017, o nível da represa se manteve abaixo da média de longo tempo, mesmo com a ocorrência das chuvas acima da média para este período.

Considerando que, mesmo com a ocorrência das chuvas, o nível da represa não apresentava recuperação. Como medida preventiva, a empresa reduziu a vazão do reservatório: “Estamos operando na vazão sanitária (mínima permitida para manter a vazão do rio Sorocaba) somada a vazão de abastecimento público”, informou a época.
A Votorantim acrescentou que está operando a usina com apenas 1 turbina, movida pela vazão mínima operacional de 6m³/s correspondente à vazão sanitária. Está garantindo ainda a vazão de 2,15m³/s para o abastecimento de Sorocaba.

Cachoeira do França
Na Represa da Cachoeira do França, que desde abril deste ano abastece parte da Grande São Paulo, os níveis baixos são visíveis. Cepos e pedras que antes ficavam submersos estão a vista e, em alguns locais a navegação está prejudicada. Muitas pousadas e chácaras que ficam a beira do reservatório perderam o acesso dos seus píers a água.

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