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Musical “Godspell” eleva emoção de público na segunda noite de apresentação em Ibiúna


29/08/2018 l Atualizada em - 29/08/2018 às 15:49

A segunda e última noite de apresentação de “Godspell, o Musical” foi marcada de muita emoção e alegria. Com a plateia lotada, os atores conseguiram contar desde as parábolas contidas na Bíblia até a morte e crucificação de Jesus Cristo com uma retratação cômica e reflexiva jamais vista na região.

“Um espetáculo que falou de amor, união e compreensão ao próximo”, afirma Rita Gutt, diretora geral do espetáculo. A peça, que foi o segundo musical de produção do Núcleo de Teatro Esquina da Arte de Ibiúna, foi apresentada na noite da última  terça-feira (28) no Centro Olímpico de Ibiúna.

Em conversa com o Correio, a diretora conta que o enredo, baseado no musical da Broadway originalmente escrito pelos autores americanos, tem toda sua estrutura baseada em uma série de parábolas – como a do Filho Pródigo e a do  Semeador -, retiradas principalmente do Evangelho de Mateus.

E quando o assunto foi música, uma variedade de canções modernas com origem em hinos cristãos foram entoadas pelo salão da apresentação. Giulia Meneguini (18), que fez parte do elenco, conta como foi toda a sua preparação vocal para conseguir chegar no resultado final: “Eu canto em corais desde criança, faço aula de canto e mesmo assim foi um desafio enorme. Por mais que tenho mais afinidade na música do que no teatro, foi o meu primeiro musical, e posso afirmar que tive uma preparação de outro nível com os diretores. Não posso deixar de agradecê-los”.

No fim do espetáculo, a Paixão de Cristo foi retratada brevemente, mas ainda mais que a própria história de Jesus, a ideia de todo a peça foi mostrar o quanto as pessoas devem pensar em seus atos.

“Amarás a Deus sobre todas as coisas e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. 

Gabriel Ivanoff, diretor de elenco, terminou seu discurso no fim da peça afirmando que precisamos de “gente”, precisamos pensar em “gente” e esse foi o legado do musical.

A ideia foi de buscar um espetáculo em que não exista somente um personagem protagonista, mas sim uma peça mesclada em que todos os atores tenham o mesmo papel no decorrer dos contos das parábolas.

O enredo conta muito sobre o ser humano, usando um prólogo de criação própria que traz uma reflexão sobre os prós e contras do homem. “Adaptamos o texto, fazendo um ‘Godspell’ segundo a Esquina da Arte. Muito dos detalhes, cenas e características, foram os próprios atores que criaram ao longo dos ensaios, portanto, o musical é uma produção coletiva”, conclui Gabriel. Além dos dois, a peça também contou com um diretor musical, Juliano Rodrigues.

Como os três diretores vivenciam diariamente o gênero musical, a ideia não tinha como ser de outro gênero. Eles ainda afirmam que o objetivo é também para que os atores e alunos sejam plurais visando o mercado de trabalho, já que devem cantar, dançar e até mesmo tocar algum tipo de instrumento quando o assunto é exigência para trabalhos.

O elenco foi formado por 11 atores, e nos bastidores, muita gente foi envolvida: eles contaram com pessoas desde ajudantes gerais, fotógrafos até técnicos de iluminação e som.

“Ontem eu consegui me conectar com o meu personagem de uma forma incrível, tanto que na hora da despedida eu não consegui me despedir dele. Quando ele foi para ser crucificado, eu ouvi os lamentos dos amigos não como eu ator, mas sim, como ele”, conta Eliseu Cassettari (18), que atuou no papel de Jesus Cristo. “Foi uma oportunidade única, pois a mensagem que ele traz é única. Ele em si é uma representação de amor, e não é a toa que  tem um coração enorme no peito”, enfatiza.

O Correio também conversou com Felipe Barbosa (23), ator de São Roque (SP) que teve um de seus papeis, Judas Iscariotes. Ele conta que é muito satisfatório ver o resultado final de todo o processo que abrange desde suas viagens para Ibiúna semanalmente: “Por mais que foi cansativo fazer essas viagens, os ensaios sempre foram produtivos e com muita coisa a ensinar. Estudamos sobre o Clown (método do palhaço) e isso era algo que eu sempre gostei, e mesmo assim, foi algo novo, nunca tinha trabalho ao certo com esse método e fazer o Godspell pra mim, foi muito prazeroso.”

O ator também não deixou de falar sobre a ideia principal do musical: “é um dos trabalhos que já fiz que mais transmite uma mensagem bonita. Não só por se falar de Jesus, mas também por mostrar que só depende da gente para se construir um mundo melhor, e todas as lições que com a comédia conseguimos passar”, conclui ele.

Essa foi a segunda apresentação do musical, mas o diretor de elenco não deixa de relatar toda a sua satisfação sobre a primeira apresentação também: “ficamos muito felizes com a nossa primeira apresentação. Tivemos um total de 140 pessoas em um espaço que a lotação é de 150. Mesmo com frio, chovendo e sendo uma quarta-feira, as pessoas foram e isso pra gente é maravilhoso”.

Como existem atores de cidades como Mairinque e São Roque, a ideia é de também levar esse espetáculo para cidades vizinhas no futuro.

A Esquina da Arte

A ideia de montar o Núcleo de Teatro da Esquina da Arte foi de trazer uma formação mais técnica para as pessoas de Ibiúna e de toda a região. O espaço já tem três de existência e para fazer parte, a pessoa passa por uma audição gratuitamente, já que é um projeto social em que eles não ganham nada financeiramente para essa instituição.

“Acreditamos que o interior tem esse potencial, as pessoas daqui têm esse potencial e a gente pode trazer essas técnicas mais próximas delas. Mostrar que todos podem se especializar na área de teatro e canto”, conclui Rita.

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